leitmotiv
1 2 3 4 5 »

DEXISTENTE

No campo ermo da ausência
expira e exala um momento
um sentido, uma fala, um tormento
um resquício, uma aspa, dexistência

Enfermo e banido, renitente
Petulante, esquecido: penitência
À deriva, na volúpia pestilenta de
estar, lentamente encaneço

Debandado, relutante e sepulcral
Exilado, dissonante e visceral
Ode errante, delirante, sensual

Excrescências rotas, devaneios
Reticências ocas no entremeio
De sentir-se ao avesso, afinal

26.02.2023

5 months ago · 10 notes · Reblog

CALADO

Espírito atrofiado, devir fracassado
Manifesto calado, verso natimorto
qual remorso de sonhar o não vivido
Constipação retórica, apneia perene
Trespassado por um horror consciente
Paraíso distópico, corroído, estoico
urdido, cerzido, ignoto, inócuo

04.12.2022  

8 months ago · 2 notes · Reblog

EXÍLIO

Olho ao fundo e dentro de mim
Me faltam as palavras e me perco
na essência de ser e sentir
Hoje estou cansado e me dói
dizer o que sinto
Hoje, continuo acordado e assim
como o ano passado
A dor que me dói não me diz
por que vivo

09.10.2022

10 months ago · 3 notes · Reblog

ESTEIO

Guiando os veios da noite
Enleio de uma dor visceral
Flagelo, mistério e açoite
Cerzido, ruído e frugal

Fiando o almíscar da sorte
Esteio dum amor sepulcral
Singelo, venéreo e forte
Fremido, urdido e real

Atados, desejos ululam
Ondulam, pululam e irreais
Auguram a rima perdida

Na falsa memória ferida
Na chaga aberta da vida
Na ausência de ser e estar

25.09.2022

10 months ago · 0 notes · Reblog

ALARDE

Diluído no entremeio de existir
Sem você
Se você não vem
Embebido no elixir das horas
Vagas termais
Oscilam em voluptuoso deleite
Reminiscências crepitam em juízo
Ouço as chamas da memória
Um alarde
Onde estou?

10.09.2022

11 months ago · 0 notes · Reblog

SEMPITERNAS

Na angústia da impresença de
esquecer, intermitências de
sentir sem estar sendo. Se por
despeito e por amar irrestrito,
ando exilado, derreado e inquisito,
na volúpia da essência de te ser,
te amar sem querer, te gozar sem
te ter, te escrever e te ler e enfim
expirar
já que a minha poesia é você

07.09.2022

11 months ago · 0 notes · Reblog

ALGO

Mente vasta e vadia
Olhar obsidianado
Mulher
Língua avessa
Fala travessa
Musa incógnita
Pele aroma e suspiro
Respiro, aspiro e inspiro
Você

05.06.2022

1 year ago · 2 notes · Reblog

RANHURAS

Entre os seixos da travessia
de través ignoro e costuro as
as feridas de meus pés ignotos
e hauridos de andar

Entre os veios da agonia
desconexo e introspecto
circunspecto e exaurido
da ranhura de lembrar

Meus olhos cansados de
tristeza não conseguem
mais chorar

Meus dedos rotos de
fraqueza já não podem
mais rimar

05.06.2022

1 year ago · 1 note · Reblog

FORA DO PEITO

Pedaço de mim que fora vivo
hoje, fora, aflora, morto
Pedaço de mim desfeito
agora, noutro, espaço, corpo
Sorri e apunhala um eu inteiro
Transcende, trespassa e fora
do peito
me diz sabores de amor

17.04.2022

1 year ago · 3 notes · Reblog

RETRATO

Na janela da memória
são teus olhos que
refletem meu sorriso

Na infinitude de te olhar
meus olhos que sonham
não veem cores

No intervalo de ser meio
ser metade sem ter sido
entremeio exilado esquecido

Hoje estou cansado e
me dói dizer o que sinto

25.09.2021

1 year ago · 33 notes · Reblog

TE OLHO E MINTO

Te olho e minto
Dizendo a verdade
Venéreo e urdido
Sincero e covarde

Trespassa e fibrila
Me faz de metade
Transborda e vacila
Minha tenra vontade

Imerso e contido
Exílio acordado
Singelo e cerzido
Sereno e vago

Te quero e expiro
Hesito e exalo
Te quero e preciso
Me perco, me acho

Jobervan Evangelista, 23.07.2021

2 years ago · 11 notes · Reblog

TARDE

Veleidade de amar-se irrestrito
Anseio inerte desvazio solto
Folguedos em fases
Desejos à parte
Meu sangue morto

Jobervan Evangelista, 20.06.2021

2 years ago · 11 notes · Reblog

OLVIDO

Os pulsos repulsam vibrantes
O empuxo de horas perdidas
Re-verbo e covarde sonante
solfejo sonoras cedilhas

Dos sulcos escoam rascantes
o sumo de chamas fremidas
Venero estéril e estanque
veredas de vítreas dedilhas

Os vultos revoam distantes
arpejos e flamas renhidas
Verbero e soçobro errante
flanando de asas caídas

Canhestro ressoo arfante
olvido em rimas cerzidas
Soletro sussurros e sonho
o etéreo agouro da vida

Jobervan Evangelista, 11.09.2020

2 years ago · 14 notes · Reblog

NOTURNAS

Há uma chama?
Há uma chama
àquilo que pulsa
diuturna e tacanha à
impresença do agora

Há quem me tece?
A alguém que me tece
me apanha e encanece
ao sono das horas

Há quem me chama?
A alguém que me chama
e àquilo que clama ao
prumo de outrora

Há quem se esquece?
Há quem se esquece e
ao lembrar que envilece
desespera e padece
ao lembrar onde mora

Jobervan Evangelista, 11.06.2020

3 years ago · 13 notes · Reblog
THEME